Ao abrir os olhos acompanhados de uma visão turva pude ver que a chuva de ontem foi responsável pelos poucos e fracos raios de sol desta manhã, o tempo estava nublado. Acordei com uma certa dificuldade, ainda sentia sono. Embalada pelo ritmo dos meus sonhos, os quais recordei imediatamente, abri a cortina liberando a luz. Voltei para a cama me esforçando para recordar mais detalhes de um sonho que momentaneamente revirava a minha cabeça. Me lembro de folhas ao vento, da noite, de um risco corrido e de uma escolha. Era tudo o que eu conseguia lembrar.
Desci para a cozinha, tomei meu café e subi para o quarto, minhas pesquisas anteriores me forçavam a tomar uma providência mais avançada, então desci as escadas e justifiquei a minha saída como “estar indo à casa de uma amiga”. Eu sei que eu nem tenho um motivo concreto, mas minha decisão em manter o bosque em segredo permanecia.
Finalmente sai de casa com destino ao bosque que não ficava tão longe, mas nem perto dali.
Como sempre o bosque estava sozinho, sem a presença de nenhum ser vivente se quer. Era como se eu não me preocupasse com esse detalhe, eu estava tão sedenta a solucionar este caso que nem se quer me perguntei quanto a algo dar errado.
Passei entre um curto espaço do portão enferrujado e diferente da outra vez, pude visualizar mais do que um balanço, pude explorar mais do que eu imaginava. Pude ver Árvores, muitas folhas secas, um jardim morto, um tipo de “quartinho” muito velho, acho que responsável por pás entre outros instrumentos de jardinagem e algumas frutas secas ao chão. Mas o que mais me chamou a atenção foi um portão pequeno que se encontrava no fim do bosque. Um portão que parecia uma passagem para outro lugar. O cadeado contido no portão bloqueava as minhas expectativas de progresso, já que me limitava obrigatoriamente a não passar daquele ponto.
Para mim, aquelas informações eram de grande tamanho, era a metade da chave que eu precisava para abrir o cadeado e expandir minhas hipóteses.
Devido à luz do sol vi algo reluzindo ao chão, o que imediatamente me chamou a atenção. Eu não fazia idéia do que podia ser, mas absorvia um sentimento estranho e esperançoso a cada passo. Tudo o que eu queria naquele momento era retirar todas as folhas que camuflavam aquele objeto reluzente.
Para o meu desespero, antes que eu me aproximasse, pude escutar alguns passos que cada vez ficavam nítidos, me mostrando que alguém estava chegando perto.
Eu não sabia o que fazer, o nervosismo tomou conta dos meus pensamentos e eu já não sabia mais o que pensar. Era como se eu tivesse levado um banho gelado de um líquido chamado arrependimento.
De alguma forma fui capaz de correr e me deitar atrás de um arbusto, de onde pude visualizar um homem de meia idade, baixo, um pouco acima do peso, de cabelos escuros, coberto com um avental sujo e uma bota de jardinagem. Pude perceber seu olhar desconfiado para todos os lados, talvez ele possa ter ouvido a minha fuga até chegar ao arbusto, mas o que importava era que eu estava salva até então.
Aquele homem direcionou-se ao portão onde tinha por objetivo abrir.
Imediatamente corri para a entrada do bosque que parecia ter se tornado gigante, eu realmente gostaria de verificar o objeto reluzente, mas não tive opção de escolha. Ou era o objeto ou era outro "passaporte" para estar ali novamente.
Finalmente Consegui sair daquele lugar. Com muitas pistas, hipóteses, e cheia de dúvidas fui para a casa, ofegante. Assustada, feliz, bem ou mal, eu não sei dizer ao certo, mas sabia que estava perto de algo que eu também não sabia. Conclui que o bosque não estava abandonado. Quanto ao objeto reluzente, ele me espera. E vou fazer o possível para buscá-lo logo.
Nicole Sullivan
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